Paulo Fonseca contraria o lema «não voltes onde já foste feliz»

Quem o costuma dizer é o povo, na base da superstição. Onde outrora se foi feliz, não se deve voltar, pois o que de bom aconteceu não terá repetição. Paulo Fonseca, provavelmente, não será supersticioso. Mesmo que o seja, vai desafiando a lógica desta ideia.

Em Paços de Ferreira, não há quem diga mal do técnico. No verão de 2012, chegou para se estrear no campeonato principal como treinador e poucos o conheciam, mas foi preciso muito pouco para que o português, nascido em Moçambique, convencesse a plateia.

Uma temporada de sonho, culminada com as meias finais da Taça de Portugal e com o inédito terceiro lugar no campeonato (derrotado apenas nos jogos contra FC Porto e Benfica) serviu para que os olhares mais distraídos olhassem com interesse para o seu trabalho. Levou o Paços ao playoff da Liga dos Campeões. Nada seria como até então. A cotação estava muito alta e o salto era inevitável.

Vítor Pereira saiu do FC Porto depois de ser campeão nas duas épocas em que esteve à frente da equipa e Paulo Fonseca foi a escolha de Pinto da Costa. Só que o terceiro lugar nos Dragões não foi, de todo, tão satisfatório como tinha sido nos castores e a época nem foi terminada pelo técnico, que pediu para sair.

Voltou a Paços de Ferreira, num ato de humildade. Se houve salto dos amarelos para os azuis e brancos, o contrário terá que ser considerado como uma queda. Mas Paulo Fonseca não se importou nem se encolheu na sombra, à espera de uma nova oportunidade num patamar elevado, com risco de esquecimento. Falou na apresentação que seria «novamente um casamento feliz».

Meia época depois e pode-se dizer que, apesar de o terceiro lugar estar distante, o regresso foi claramente uma decisão acertada. O Paços de Ferreira, que esteve na iminência de descer na época passada, voltou a navegar por águas tranquilas e até pode espreitar a luta pelos lugares europeus. Bateu o líder Benfica e manteve acesa a chama da luta pelo título.

Um treinador com métodos… diferentes

Garante quem já trabalhou ou trabalha com o técnico. Quando se mudou para o FC Porto, André Leão e Tiago Valente foram dois jogadores com quem o zerozero.pt conversou para traçar o perfil de Paulo Fonseca, contando que o treinador fazia apostas com o plantel para determinados objetivos (por exemplo, oferecia um churrasco se a equipa fizesse determinado número de cruzamentos).

Recentemente, o zerozero.pt falou com alguns atletas do plantel sobre o técnico que os orienta e a ideia foi confirmada.

«Isso também nos ajuda, pois, para além do objetivo do clube, que é a manutenção, temos sempre outros objetivos dentro do próprio grupo. Objetivos esses que tentamos sempre alcançar, pois há sempre um bónus implementado por ele. Tem essa particularidade de criar objetivos dentro do grupo e depois premeia-nos com algum tipo de diversão», contou Bruno Moreira, um dos jogadores que sentiu o ‘toque de Midas’ de Paulo Fonseca.

«O que posso dizer é que toda a gente confia no nosso treinador. Todos gostam dele e dos métodos de trabalho que ele implementa. Somos uma família. Quando tudo isso se junta, penso que temos tudo para fazer uma grande campanha», referiu o avançado, à margem da entrevista dada a 7 de dezembro.

Também nessa altura falou Urreta ao zerozero.pt, ainda antes de sair e numa altura em que estava a ser um dos destaques. As palavras para com o técnico foram as melhores.

«Sinceramente, fiquei muito surpreendido porque não sabia das qualidades que tinha como treinador. Sempre me disseram que era muito boa pessoa e eu confirmo isso. Como treinador, deixou-me surpreendido. Ele está diariamente a aprender, a melhorar e faz aprender as outras pessoas», referiu o uruguaio, que o considerou também «diferente».

«Acho que é diferente de muitos treinadores aqui em Portugal. Não tive muitos cá mas acho, que pelo que os colegas falam, ele é muito diferente. Tem uma mentalidade muito positiva, muito ganhadora e isso é muito preciso para o jogador. Joga de uma forma diferente de outros treinadores e está a notar-se em campo. O Paços joga de forma diferente em relação às outras equipas cá e ainda bem que temos o Paulo na nossa equipa», acrescentou, na altura.

Mais recentemente, Rodrigo Galo também falou com o zerozero.pt. A linha foi igual: Paulo Fonseca foi merecedor de palavras positivas, por parte de um jogador que nem vinha a ser opção, mas que foi a surpresa contra o Benfica.

«É um ótimo treinador, sabe o que quer da equipa, sabe tirar o máximo de cada jogador. Particularmente gosto muito do estilo dele, quer-nos a jogar de bola no chão, sem chutão para a frente e eu gosto muito disso; não gosto de jogo direto. Os resultados não aparecem mas quem vê os jogos sabe que a equipa cria muitas oportunidades de golo, só não está a conseguir concretizar o último toque, só está a falhar na última fase. Mas creio que isso em breve vai mudar e os bons resultados vão voltar», dizia, na semana passada, adivinhando o que acabou por acontecer na passada segunda-feira.

Fonte: zerozero.pt

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