“La Furia” no banco

Gritou para repreender, corrigir e incentivar os seus jogadores. Reclamou algumas decisões do árbitro, percorreu centenas de metros dentro e fora da sua área técnica. Chateou-se, festejou, correu para o balneário no intervalo e acelerou o passo para cumprimentar o treinador adversário, Miguel Leal, no final da partida. Frente ao Moreirense, Lopetegui não parou um segundo.

Uma das características específicas do Parque Comendador Joaquim de Almeida Freitas deixa o treinador visitante a poucos metros da tribuna de imprensa. Tal permitiu a Record olhar com atenção para Lopetegui no decorrer do duelo em Moreira de Cónegos e testemunhar “La Furia” que moveu o técnico, de 48 anos. Para Lopetegui, o banco de suplentes foi um mero objeto decorativo, pois nunca lá se sentou. De olhos postos nas quatro linhas, visou sobretudo Maicon, Quaresma, Tello e Óliver.

Ao central pediu-lhe celeridade a recuar no terreno depois dos lances de bola parada ofensiva; ao extremo português disse-lhe para não esperar por apoios e partir para cima dos adversários; ao extremo espanhol mandou-o explorar as costas dos defesas do Moreirense; e ao médio criativo deu-lhe indicações para pausar o jogo quando o FC Porto já vencia por 2×0.

Antes de operar substituições, Lopetegui trocou ideias com Rui Barros e Juan Carlos Martínez, sendo que foi sempre este último quem foi chamar, à zona de aquecimento, o jogador que ia entrar. Lopetegui deu ainda as últimas indicações a quem ia lançar no jogo e fez sempre questão de cumprimentar o que saía.

Preocupado com o segundo poste nos lances de bola parada defensiva, alertou os seus jogadores para o perigo que daí poderia vir e incentivou-os nas ações que lhe agradaram. No primeiro golo, festejou de forma comedida, estremecendo o corpo, mas sem tirar as mãos dos bolsos. Em suma, Lopetegui mostrou intensidade e concentração nos pormenores.

Relaxamento só no dia seguinte

A intensidade que mostrou no decorrer do jogo com o Moreirense, Lopetegui transportou-a para a conferência de imprensa que se seguiu ao duelo, revelando, por vezes, até alguma impaciência nas questões que lhe foram colocadas. O treinador só relaxou verdadeiramente no dia seguinte ao jogo. Logo pela manhã, assistiu ao jogo da equipa Sub-17 C do Padroense, onde joga o seu filho, Daniel, frente ao Leça do Balio, aproveitando assim, em família, o primeiro de dois dias de folga que concedeu.

Treinados à lupa

Lopetegui conferenciou com Juan Carlos Martínez antes de escolher Evandro para ser o primeiro jogador a saltar do banco para o jogo. Fê-lo quase em surdina, num momento raro no decorrer do jogo em Moreira de Cónegos.

Lopetegui não é daqueles treinadores que delega aos seus adjuntos a missão de dar as últimas indicações aos jogadores que vão entrar em campo. Foi ele próprio quem o fez junto de Evandro, Brahimi e Aboubakar. E cumprimentou todos os jogadores que escolheu para sair.

Os aplausos aos seus jogadores foram uma constante. Quando gostava do que via, Lopetegui demonstrava-o com a mesma convicção com que corrigia o que achava estar mal. E aproveitou as paragens para privar com alguns jogadores.

Fonte: record.xl.pt

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