O futuro sem Jackson: quais são as alternativas?

Ir ao mercado parece o caminho natural para os portistas no final da época, caso se confirme a saída do colombiano. Algumas opções em análise e o perfil de avançado para Lopetegui.

Como em tantas outras vezes de dragão ao peito, também no que diz respeito ao seu futuro, foi Jackson Martínez a abrir o ativo. «Estou certo de que a minha saída vai acontecer no próximo verão», revelou o avançado, escancarando uma porta de saída que já lhe parecia destinada desde a última renovação de contrato, quando a cláusula de rescisão baixou de 40 para 35 milhões.

A saída parece, então, um dado adquirido e, se é verdade que ainda há tudo (ou quase) para jogar esta época, torna-se inevitável começar a antever o futuro sem Jackson no FC Porto.

O Maisfutebol olhou para a frente e tentou perceber o que fará o FC Porto caso se confirme a saída do goleador máximo das últimas três épocas. A conclusão é relativamente simples: será muito provável uma ida ao mercado.

Para esta análise socorremo-nos de Rui Gomes, antigo treinador do FC Porto B e dos juniores portistas e, por isso, conhecedor da realidade recente do clube, e também de José Pedro Teixeira, analista de futebol internacional, antigo colaborador da plataforma «Wyscout», no sentido de perceber que alternativas existem no mercado que encaixem no esquema portista.

Começamos pelo perfil. Para Rui Gomes há um dado adquirido: haverá ida ao mercado.

«Acho difícil que, no curto prazo, ou seja, se o Jackson sair já no final desta temporada, pelo que tenho visto e pelo que conheço dos jogadores, o FC Porto consiga substituí-lo com as opções que já tem nos seus quadros», comenta.

O técnico, atual coordenador das camadas jovens do Al-Ahli de Jeddah, cargo que assumiu aquando da passagem de Vítor Pereira pelo clube saudita, acredita que o FC Porto já tenha identificado a alternativa a Jackson. Até porque não é fácil chegar a um bom avançado.

«Ponta de lança e guarda-redes são as duas posições mais específicas do futebol e os clubes procuram sempre contratar jogadores para o imediato. O que, já se sabe, custa caro», sublinha.

Mas é nessa posição que deve ser feito o principal investimento, defende o técnico: «Não faz sentido ir buscar um jogador de 18, 19 anos para ser primeira opção. Para isso há o Aboubakar, há o Gonçalo, até o Ghilas, que tem feito uma boa época em Espanha, mesmo que várias vezes encostado a um flanco. Ou ainda o Adrian López, que não sendo um ponta de lança, é um jogador que, se estiver bem, consegue render ali.»

A opção passará, assim, por um jogador que tenha o perfil dos últimos de sucesso que o FC Porto contratou: o próprio Jackson e Falcao. «Quando chegaram, eram jogadores de créditos firmados na América. O Falcao era titular do River Plate, tinha curriculo internacional. O Jackson jogava no México mas era um jogador experimentado, de seleção. O FC Porto, se for ao mercado, será sempre por um jogador entre os 22 e os 25 anos, com provas dadas», insiste.

Alternativas? Mitrovic à cabeça

No verão de 2013, o Maisfutebol já tinha tentado perceber quem poderia render Jackson Martínez no caso de uma saída surpresa do avançado, que não se confirmou. Agora que o dado parece adquirido repetimos o exercício.

José Pedro Teixeira divide as opções em dois grupos: os jogadores que encaixariam melhor no esquema de Julen Lopetegui e estão, relativamente ao alcance do FC Porto; e os jogadores que o FC Porto poderia valorizar para mais tarde negociar, como tem sido seu apanágio.

Em relação aos «noves tipo» de Lopetegui, a análise é simples. «Gosta de um jogado com mobilidade, com capacidade para jogar fora da área de conforto do ponta de lança, que tenha qualidade no apoio à construção ofensiva, com aptidão para aproximas os médios e combinar com eles e, também, que seja forte no jogo aéreo, sobretudo ofensivo», explica José Pedro Teixeira. Um Jackson, percebe-se.

Portanto a missão é bicuda: encontrar outro Jackson. José Pedro Teixeira avança com quatro nomes, dois deles relativamente mais simples do que outros.

Aleksandar Mitrovic, do Anderlecht, parece, nesta altura, uma opção forte. Não só porque reúne essas características, mas também porque já foi associado ao FC Porto no passado e os recentes negócios dos dragões com o emblema belga (venda de Defour e empréstimo de Rolando) poderão ter contrapartidas.

Tem apenas 20 anos mas uma rodagem assinalável. Nos últimos quatro anos, entre a Sérvia e a Bélgica, com Liga Europa e Champions pelo meio tem quase 150 jogos no currículo e 46 golos. Esta época, por exemplo, soma 32 jogos e 15 golos.

Se o FC Porto quiser apostar noutro colombiano, saltam à vista dois nomes, um mais provável do que o outro. Se Teofilo Gutierrez (River Plate), aos 29 anos, parece ter perdido o comboio para a Europa, Jhon Córdoba, de apenas 21, está aqui ao lado, no Granada, e tem o selo de qualidade do Jaguares, o clube de Jackson, antes do FC Porto. Quatro golos em 18 jogos, esta época, pelo Granada não são um currículo vistoso, mas é preciso lembrar as ambições modestas do emblema na Liga espanhola.

Por fim, uma opção que parece, à primeira vista, fora do alcance do FC Porto mas que encaixaria perfeitamente no esquema de Lopetegui: Alexandre Lacazette. É o atual melhor marcador da Liga francesa, com 22 golos em 22 jogos! Problema? O preço, claro. O FC Porto precisaria fazer uma ginástica orçamental grande para pagar o que o Lyon pedirá por ele. Vinte milhões de euros, no mínimo.

Comprar para vender depois? Há vários nomes…

Se a ideia do FC Porto passar por trazer um valor ainda a precisar de ser trabalhado, com intuito de o valorizar, José Pedro Teixeira aponta cinco nomes interessantes. Um deles da Liga portuguesa: Hassan, do Rio Ave.

«Tem 10 golos na Liga e é um finalizador soberbo, capaz de marcar com ambos os pés. Está no momento ideal para um salto deste género na carreira», considera.

Davie Selke, alemão de 20 anos, era o titular da seleção que recentemente se sagou campeã europeia, a mesma onde o Benfica foi «pescar» Mukhtar. Joga no Weder Bremen e a negociação também não seria fácil, atendendo à imagem que começa a deixar: já leva seis golos no ano de estreia na Bundesliga.

«Apesar dos 1.92m está longe de ser um ponta-de-lança pesado e sem mobilidade. Não sendo um portento técnico, apresenta tremenda leitura do jogo e excelente tomada de decisão para a idade», desvenda José Pedro Teixeira.

Ao lado da Alemanha, na Áustria, está a nascer outro valor interessante para a posição. Robert Beric, esloveno, tem 13 golos em 17 jogos na Liga. «Tem remate forte, colocado e consistente, a curta e média distância», define José Pedro Teixeira.

Se a opção for o mercado espanhol, que o FC Porto atacou em força na última época, salvo qualquer jogador que possa chegar a título de empréstimo dos grandes, o que fará pouco sentido, destaca-se o nome de Santi Mina, do Celta de Vigo: «É forte e agressivo a atacar os espaços, sagaz nas movimentações sem bola e com bom sentido de baliza. Pode atuar, esporadicamente, aberto num dos corredores.»

Para o fim fica o mercado sul-americano onde a «última novidade» é Gabriel Vasconcelos, do Corinthians, que se destacou na Copinha de São Paulo, com oito golos.

José Pedro Teixeira apresenta-o: «Tem uma qualidade técnica acima da média e enorme sentido de baliza. Tem excelente margem de progressão, assim consiga controlar a sua impulsividade e melhorar o entendimento tático do jogo»

Aboubakar e Gonçalo: alternativas válidas?

Para terminar, uma análise ao que o FC Porto já tem. Descartando os nomes dos emprestados Kléber e Walter, que dificilmente voltarão, e também do jovem André Silva, que ainda precisará de mais tempo para mostrar a Lopetegui que possa ser opção, restam quatro opções.

Resgatar Ghilas também parece pouco provável. Afinal, falámos de um jogador que Lopetegui enviou para rodar sem sequer o ver treinar. Adrián López seria um candidato óbvio mas primeiro, precisa, recuperar a aura de outros tempos.

Restam, então, Aboubakar e Gonçalo Paciência. O camaronês parte na pole-position. Segundo melhor marcador na Liga francesa na temporada passada, ao serviço do Lorient, tem estado na sombra de Jackson, mas fica a dúvida: era suposto conseguir tirar o lugar ao colombiano?

A verdade é que os números são interessantes: quatro golos em 339 minutos. Rui Gomes admite que não o conhece muito bem, mas sublinha, precisamente o seu índice de golos. «Ainda não deu bem para perceber o que é. Tem golo, sim, mas é diferente do Jackson e a equipa pode ressentir-se», avisa.

Por fim, Gonçalo Paciência. Um Jackson em potência, acredita Rui Gomes. «Salvas as diferenças, nesta altura, é mais parecido do que o Aboubakar», defende.

«É muito forte dentro da área. Pé direito, pé esquerdo, cabeça…Tem o pacote todo. Precisa de ganhar outras coisas: maturidade, algum componente físico extra e rotinas. Acredito que, se tiver mais um ano, no mínimo, a jogar regularmente um nível acima da Liga de Honra, que já é curta para ele, ficará pronto para ser o ponta de lança do FC Porto e da seleção nacional», remata.

Fonte: maisfutebol.iol.pt

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