«Foi aqui que nasceu um FC Porto europeu» – Jorge Nuno Pinto da Costa

Jorge Nuno Pinto da Costa é um dirigente com memória e um passado recheado de recordações. Neste que é o regresso do FC Porto a Basileia, onde disputou a primeira final europeia da sua história, o dirigente dos Dragões recorda esse passo em frente de 1984 e deixa o repto à equipa: o objetivo é atingir os quartos de final da Liga dos Campeões.

«É a primeira vez que volto a Basileia depois de 1984. Foi uma final que marcou. Foi aqui que a Europa percebeu que estava a nascer um clube de referência, um FC Porto europeu. Passados 31 anos é uma grande emoção estar de volta», recordou, numa entrevista concedida ao jornal O Jogo, o histórico dirigente azul e branco, que aproveitou para fazer uma espécie de balanço de 1984 até aos dias de hoje.

«Quando meti no programa eleitoral que queria estar numa final europeia, era impensável ter vencido, depois, sete títulos internacionais. Como era impensável se me tivessem dito na altura que voltaria aqui 31 anos depois como presidente do FC Porto. Diria que era impossível, pois achava que só ficaria dois anos. Voltar com este estatuto também diria ser impossível, mas isto prova que nada é impossível», sublinhou.

De lá para cá os Dragões ganharam projeção, importância na Europa do futebol, continua o dirigente, lembrando que o FC Porto que foi «novidade» em 1984 «hoje é um clube respeitado, até mais no estrangeiro do que em Portugal».

Essa final perdida para a Juventus também deu para toda a estrutura azul e branca aprender muito, quer jogadores, quer dirigentes.

«Na véspera os jogadores estavam mais preocupados com contratos de botas, luvas e afins do que com outra coisa. Hoje, o profissionalismo é completamente diferente e é impensável para os próprios jogadores. Na altura, era tudo novo. Quando disse a um amigo da RTP em 1982 que queria estar numa final europeia, ele perguntou-me se não queria tirar isso da entrevista por ser muito ambicioso. Disse que ia conseguir. Não que ia ganhar, mas que estaria na final. E felizmente estivemos. Foi realmente o início de tudo. Foi aqui, em Basileia, que tudo começou, sobretudo o respeito por este clube. Lembro-me depois de ir aos sorteios a Genebra e todos falavam ainda dessa final e da surpresa que foi a grande exibição do FC Porto contra a Juventus, que dominava o futebol europeu. Perdemos de forma inglória, mas a presença na final marcou a viragem do FC Porto na Europa», enalteceu, saudoso.

FC Basel não é fácil

O discurso de que os azuis e brancos foram bafejados pela sorte no sorteio desta ronda da Liga dos Campeões não é o de Pinto da Costa, que destaca o que a equipa de Paulo Sousa fez na fase de grupos e os gigantes que ultrapassou.

«Li que o FC Porto tinha obrigação de ganhar. Quem escreveu isso tem um desconhecimento total do que é o FC Basel, que só vai jogar connosco porque deixou o Liverpool para trás. E aqui, por exemplo, dominou o Real Madrid. Só quem não conhece o futebol europeu pode dizer que é um adversário fácil. Mas atenção, se estivesse a jogar com o Real Madrid ou com a Juventus, o meu espírito era o mesmo: passar aos quartos de final», atirou, mostrando-se confiante em relação aos jogadores comandados por Julen Lopetegui:

«Esta equipa pode perder com qualquer outra, mas também pode eliminar qualquer adversário».

Críticas às arbitragens

Pinto da Costa não deixa nada por dizer, já é um hábito, e apesar de estar mais interessado em comentar o confronto europeu dos azuis e brancos, aproveitou para deixar uma espécie de recado às arbitragens da última jornada.

«O Benfica ganhou bem ao Vitória de Setúbal, mas aos cinco minutos havia um penálti com possível expulsão que não foi marcado. No jogo do campeonato a história repetiu-se com um árbitro do Porto [Manuel Oliveira, da AF Porto foi o árbitro na Luz]. E no nosso jogo com o Vitória de Guimarães o árbitro não teve culpa nenhuma, porque na agressão bárbara, que não tem outro nome, do Cafú ao Casemiro, foi o quarto árbitro, o Vasco Santos [também daAF Porto], que deu sinal para que só fosse exibido o amarelo. Todo o nosso banco viu e já confirmámos isso. Aliás, vê-se na televisão», apontou, comparando o mesmo caso com a receção dos dragões ao Boavista, na primeira-volta.

«Quando vemos a entrada do Maicon contra o Boavista, debaixo de um dilúvio e muito menos impetuosa, levar vermelho e depois, sem essas condições climatéricas, vemos uma entrada de pés juntos, para a qual o quarto árbitro é que indica que não deve levar vermelho, que podemos fazer?»

Fonte: zerozero.pt

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